Alguém diz que passou para o sal e agora não faz nada. Outro responde que um vizinho passou para o sal e teve de substituir o corrimão dois anos depois. As duas coisas podem ser verdade: a eletrólise de sal muda o dia a dia de quem trata a piscina, mas não se instala e esquece. E não elimina o cloro — produz-o na própria instalação, a partir do sal dissolvido na água.
O que muda e o que não muda
- Não muda: a desinfeção é por cloro, é preciso filtrar, escovar, controlar o pH, usar estabilizante em piscina exterior e ter algicida e floculante à mão.
- Muda: o cloro passa a ser produzido em vez de comprado, acabam as embalagens em casa, o pH tende a subir em vez de descer, aparece uma peça de desgaste (a célula) e o cloro deixa de oscilar entre doses.
Como funciona cada método
Cloro tradicional: comprado já feito
O cloro entra na água em pastilhas, granulado ou líquido. Ao dissolver-se forma ácido hipocloroso, a molécula que destrói bactérias e algas.
As pastilhas de tricloro, como o CTX 370, dissolvem-se devagar e trazem estabilizante incorporado, que protege o cloro do sol. Esse estabilizante acumula-se e acaba por travar a desinfeção; a solução passa por renovar água.
O dicloro granulado, como o CTX 200, dissolve-se depressa e serve para o arranque da época e para tratamentos de choque. Não altera significativamente o pH.
Eletrólise de sal: produzido na instalação
Dissolve-se sal comum na piscina, em concentração baixa. A água passa por uma célula de eletrólise no retorno, com placas de titânio revestidas, e uma corrente contínua de baixa tensão separa as moléculas de sal. Daí resulta cloro, que desinfeta como o outro.
Depois de atuar, o cloro recombina-se em cloreto. Por isso o sal não se gasta a funcionar: perde-se por lavagens do filtro, salpicos, transbordos e mudanças de água. O ciclo é fechado e a reposição pontual.
A maioria dos aparelhos domésticos trabalha entre 3 e 5 g/l, e há modelos de baixa salinidade. A água do mar anda pelos 35 g/l — por isso uma piscina de sal não sabe a mar.
Vantagens reais da eletrólise
A mais concreta é a regularidade: o aparelho produz cloro sempre que a filtragem trabalha, evitando os picos e quedas de quem dosea uma vez por semana. Menos correções de emergência e menos água verde em agosto. A segunda é o conforto de banho, sem doses concentradas junto ao skimmer.
Um mito a desfazer: o cheiro a cloro não vem do excesso de cloro, vem das cloraminas, formadas quando o cloro reage com suor, protetor solar e matéria orgânica. Acontece em qualquer piscina, incluindo as de sal.
A terceira é logística: acabam as embalagens a ocupar espaço e a esgotar-se na sexta-feira de um fim de semana de calor.
O pH é o que decide se a eletrólise funciona
Numa piscina com eletrólise o pH tende a subir, e um pH alto anula grande parte do trabalho do aparelho: só uma fração do cloro livre está sob a forma de ácido hipocloroso, e essa fração cai a pique com a subida.
| pH | Cloro sob forma ativa | Na prática |
|---|---|---|
| 7,0 | cerca de 78% | Eficaz, mas agressiva para equipamento e revestimento |
| 7,2 | cerca de 69% | Zona de trabalho recomendada |
| 7,4 | cerca de 58% | Zona de trabalho recomendada |
| 7,6 | cerca de 47% | Limite superior aceitável |
| 7,8 | cerca de 35% | Boa parte da produção desperdiçada |
| 8,0 | cerca de 26% | Água verde com o aparelho a 100% |
Valores aproximados, à volta dos 25 °C. Entre 7,2 e 7,6 o sistema rende; acima disso deita-se produção fora.
Quem tem eletrólise usa quase sempre minorador de pH, como o CTX 10, e raramente o incrementador CTX 20 — o inverso do que acontece com tricloro. Manter a alcalinidade total nos valores recomendados impede o pH de andar aos saltos, e quem quer o sistema mesmo automático acrescenta um regulador automático de pH. Sem ele, a eletrólise resolve metade do trabalho manual.
Os outros cuidados de manutenção
Medir e repor a salinidade
Se a salinidade descer abaixo do mínimo, o aparelho reduz a produção ou pára. Meça no arranque da época e após qualquer perda de água.
A célula é peça de desgaste
As placas de titânio têm vida útil contada em milhares de horas, variável conforme o modelo. É um custo previsível, a contar desde o início.
O calcário é o que mais encurta essa vida. Quase todos os equipamentos têm inversão de polaridade, que limpa as placas ao alternar a corrente, mas em águas duras convém inspecionar a célula uma vez por época. Nunca raspe.
Não abdicar do estabilizante
O cloro gerado por eletrólise é destruído pelos ultravioleta como o outro. Sem estabilizante, o aparelho passa o dia a produzir cloro que o sol destrói. É das causas mais frequentes de "o equipamento não chega" em pleno verão.
Materiais e temperatura
A concentração de sal é baixa, mas permanente. Pedra natural, inox de qualidade inferior e alumínio não protegido pedem lavagens regulares com água doce. Confirme a compatibilidade antes de converter. Com água fria a produção cai, e há um limite mínimo de temperatura indicado pelo fabricante.
CTX 10 — Minorador de pH
Trava a subida do pH que desperdiça produção.
CTX 41 — Floculante líquido
Agrega as partículas finas que o filtro deixa passar.
CTX 200 — Dicloro granulado
Choque no arranque da época e quando o cloro combinado sobe.
Onde entra a célula no circuito
A célula é sempre o último elemento antes da água voltar à piscina.
O percurso da água
- Aspiração: skimmers e ralo de fundo.
- Pré-filtro da bomba, que retém folhas e cabelo.
- Bomba de filtração.
- Filtro, de areia, vidro ou cartucho.
- Aquecimento, se existir.
- Célula de eletrólise, na tubagem de retorno.
- Bocas de impulsão, de volta à piscina.
Antes do filtro, trabalha com água suja e dura menos. Antes do aquecimento, expõe o permutador a cloro acabado de produzir. A produção segue o horário da bomba: pouca filtragem, pouco cloro.
O aparelho trabalha e a água não melhora
| Sintoma | Verificar por esta ordem |
|---|---|
| Água esverdeada com o aparelho a 100% | pH, estabilizante, filtragem, salinidade, célula |
| Alarme de falta de sal | Salinidade com kit próprio. Célula suja dá leituras erradas |
| Aparelho pára com aviso de caudal | Cestos, colmatação do filtro, ar no circuito |
| pH sempre a subir | Alcalinidade total. Corrigi-la antes do pH |
| Água turva com cloro correto | Partículas finas. É caso para floculante, como o CTX 41 |
| Olhos irritados e cheiro forte | Cloro combinado. Falta choque, não menos cloro |
| Depósito branco nas placas | Calcário. Rever a inversão de polaridade e limpar |
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Em resumo
A eletrólise não é alternativa ao cloro, é uma forma diferente de o obter. Ganha-se regularidade e conforto de banho; em troca há mais investimento inicial, uma célula para substituir e um pH que exige atenção. Numa piscina pequena, de uso ocasional ou com pedra natural sensível, esse investimento dificilmente se recupera.
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Perguntas frequentes
Uma piscina de sal tem cloro?
Tem. A diferença é a origem: em vez de comprar cloro já feito, o equipamento produz-o a partir do sal dissolvido na água.
A água de uma piscina com eletrólise de sal fica salgada?
Não de forma percetível. A concentração usada é várias vezes inferior à da água do mar.
Quanto sal é preciso para uma piscina?
Depende do volume e da salinidade indicada pelo fabricante. Para 4 g/l numa piscina de 50 m³ são precisos cerca de 200 kg na primeira carga. Depois, as reposições são pequenas.
Posso converter para sal uma piscina que já tem cloro?
Sim, é o caso mais frequente. A célula instala-se no retorno, depois do filtro, e não obriga a mexer na estrutura nem a esvaziar a piscina.
Com eletrólise de sal deixo de comprar produtos químicos?
Deixa de comprar cloro regularmente. Continua a precisar de minorador de pH e, pontualmente, de algicida, floculante e choque.
Quanto tempo dura a célula de eletrólise?
É uma peça de desgaste, com vida contada em horas e variável conforme o modelo e a dureza da água. Controlar o pH e limpá-la segundo as instruções é o que mais a prolonga.
