Um tubo congelado raramente dá sinal enquanto está congelado. O problema aparece no degelo, quando a água volta a correr e encontra uma fissura aberta pelo gelo, muitas vezes numa parede ou num teto.
O isolamento de tubagens é das intervenções mais baratas que pode fazer em casa e das que evitam prejuízos maiores. Este guia explica onde o frio ataca, que material usar, como aplicá-lo e o que fazer nos pontos que o isolamento sozinho não resolve.
Em síntese
- Isolar antes do frio. Depois de o tubo congelar, o isolamento já não ajuda.
- O material corrente é a coquilha em espuma elastomérica, de célula fechada, vendida em varas e com fenda longitudinal para envolver o tubo.
- As uniões e as fixações são o ponto fraco. Um tubo bem isolado com juntas abertas continua a perder calor.
- O isolamento reduz a perda de calor, não gera calor. Em troços muito expostos pode não bastar.
O que acontece quando a água congela num tubo
A água aumenta de volume ao congelar. Dentro de um tubo fechado, esse aumento exerce pressão sobre a parede do tubo e sobre as ligações, e é aí que aparecem as fissuras e as fugas nas juntas. Mesmo sem rotura, o gelo bloqueia o caudal.
Não é preciso um inverno rigoroso. Basta um troço exposto, sem circulação de água durante a noite, e temperaturas negativas durante algumas horas.
Onde o frio ataca primeiro
O risco não está distribuído pela casa toda. Concentra-se nos troços que atravessam espaços não aquecidos ou que ficam ao ar livre.
Percorra a casa por esta ordem
- Tubagem à vista no exterior, em fachadas, varandas e alçados norte.
- Contador e ramal de entrada, sobretudo em caixa exterior ou nicho de muro.
- Garagens, caves e arrecadações sem aquecimento.
- Sótãos e desvãos de telhado, onde a tubagem corre acima do isolamento da laje.
- Terraços e coberturas, incluindo ligações a depósitos e a painéis solares.
- Anexos, lavandarias exteriores e casas de férias que ficam meses sem uso.
- Torneiras de jardim e respetivos troços de alimentação.
- Instalações de piscina, na casa das máquinas e nas condutas expostas.
Que material usar
A solução corrente para tubagem doméstica é a coquilha em espuma elastomérica, um tubo de espuma flexível à base de borracha sintética, com fenda longitudinal para envolver o tubo já instalado. É o mesmo material usado para isolar circuitos de aquecimento e de águas quentes sanitárias.
| Característica | Porque conta |
|---|---|
| Estrutura de célula fechada | Não absorve água e funciona como barreira ao vapor, o que evita condensação sob o isolamento |
| Diâmetro interior | Tem de corresponder ao diâmetro exterior do tubo a isolar. Coquilha larga demais deixa folga de ar e perde eficácia |
| Espessura da parede | Quanto mais exposto o troço, maior a espessura. As espessuras correntes de catálogo vão dos 9 aos 50 mm |
| Formato | Vara simples, vara autoadesiva com união pré-colada, prancha para depósitos e superfícies, e cinta autoadesiva para acessórios |
| Comprimento | A vara de 2 metros é o formato mais comum, com versões mais curtas em algumas gamas |
Para instalações novas, note que existem espessuras mínimas regulamentares de isolamento de tubagens, definidas em função do tipo e da localização da instalação. Quem executa a obra deve conhecê-las. Para reforço de tubagem já instalada, o critério prático é o grau de exposição do troço.
Como aplicar
A aplicação é acessível a quem faça pequenos trabalhos em casa, desde que respeite três princípios.
Continuidade. O isolamento tem de ser contínuo ao longo do troço. Um metro deixado a descoberto anula grande parte do trabalho feito nos restantes, porque o calor sai por aí.
Uniões fechadas. A fenda longitudinal e os topos entre varas devem ficar colados, com o adesivo indicado pelo fabricante, ou selados com cinta autoadesiva própria. Uniões abertas criam pontes térmicas e são por onde aparece condensação.
Acessórios também. Curvas, tês, válvulas e uniões perdem tanto ou mais calor do que o tubo a direito, e são frequentemente os pontos deixados a descoberto. Para isso existem pranchas e cintas que permitem acompanhar a forma da peça.
Ponto que passa despercebido: nas abraçadeiras, o tubo apoia diretamente no suporte e cria-se uma ponte térmica. Existem suportes próprios que mantêm a continuidade do isolamento nesses pontos, e vale a pena usá-los nos troços mais expostos.
O que o isolamento não faz
Uma coquilha não aquece o tubo. Retarda a perda do calor que a água já tem. Num troço sem circulação, exposto a temperaturas negativas durante muitas horas seguidas, a água acaba por arrefecer na mesma. O isolamento dá tempo, e na maioria dos invernos portugueses esse tempo chega. Nos casos limite, é preciso outra medida:
- Esvaziar o troço. É a proteção mais segura para torneiras de jardim, anexos e instalações que ficam sem uso. Fechar a alimentação e purgar.
- Manter circulação. Água parada congela primeiro do que água em movimento.
- Cabo de aquecimento. Existem cabos elétricos próprios para acompanhar a tubagem, usados em troços críticos e sempre por baixo do isolamento.
- Fechar o espaço. Muitas vezes o mais eficaz é vedar a entrada de ar frio na garagem ou no desvão, em vez de agir só sobre o tubo.
Pontos de atenção
- Coquilha de diâmetro errado. Tem de assentar no tubo. Folga de ar entre o tubo e a espuma reduz muito o efeito.
- Uniões por colar. A vara aplicada e a fenda deixada aberta é o erro mais comum, e o mais fácil de evitar.
- Acessórios esquecidos. Curvas e válvulas a descoberto no meio de um troço isolado.
- Isolamento no exterior sem proteção. A espuma exposta a sol e intempérie degrada-se. Em troços ao ar livre, confirme se o produto é adequado ou se precisa de revestimento de proteção.
- Deixar para quando o frio chegar. Com o tubo já gelado, isolar não descongela nada.
O que precisa
- Coquilhas no diâmetro interior correspondente aos seus tubos e na espessura adequada à exposição.
- Adesivo próprio ou cinta autoadesiva para selar fendas e topos.
- Prancha ou cinta para curvas, válvulas e acessórios.
- Suportes de fixação que mantenham a continuidade do isolamento.
- Faca afiada e fita métrica.
O que está no site é só uma parte do que temos em armazém.
Diga-nos o diâmetro dos tubos e onde passam, e indicamos a coquilha e a espessura certas.
Em resumo
Isolar tubagens é dos trabalhos com melhor relação entre custo e prejuízo evitado. Identifique os troços que atravessam espaços não aquecidos, escolha a coquilha pelo diâmetro do tubo e pela exposição, e sele todas as uniões e acessórios.
E faça-o antes do frio, porque em janeiro já é tarde. Veja a gama de canalização e a gama de climatização e aquecimento da Momel.
Perguntas frequentes
Que material se usa para isolar tubos de água?
O mais corrente em habitação é a coquilha em espuma elastomérica de célula fechada, à base de borracha sintética, com fenda longitudinal para envolver tubo já instalado. Existe em várias espessuras e diâmetros e em formatos simples ou autoadesivos.
Que espessura de isolamento devo usar?
Depende da exposição do troço e do diâmetro do tubo. Quanto mais exposto ao frio, maior a espessura. Em instalações novas existem espessuras mínimas regulamentares que quem executa a obra deve seguir.
O isolamento impede mesmo que o tubo congele?
Reduz a velocidade a que a água arrefece, mas não produz calor. Num troço muito exposto e sem circulação, com frio prolongado, pode não ser suficiente por si só, e a alternativa passa por esvaziar o troço ou recorrer a cabo de aquecimento.
Posso aplicar sozinho?
Em tubagem acessível, sim. Precisa de cortar as varas à medida, envolver o tubo e selar a fenda e os topos com adesivo próprio ou cinta autoadesiva. O cuidado maior está nas uniões e nos acessórios.
E as torneiras de jardim?
São dos pontos mais expostos. Além de isolar, o mais seguro é fechar a alimentação e esvaziar o troço antes do inverno.
Serve o mesmo isolamento para água quente e para água fria?
O material é o mesmo. Muda a finalidade: na água quente evita perdas de calor no percurso, na água fria protege do frio e da condensação. Em ambos os casos a estrutura de célula fechada é o que impede a formação de condensação sob o isolamento.
