Reservatórios e depósitos: aproveitar a água da chuva no jardim

Reservatórios e depósitos: aproveitar a água da chuva no jardim

Todos os invernos cai no telhado de uma moradia mais água do que a que o jardim precisa no verão seguinte. A maior parte segue para o coletor pluvial e desaparece, e em julho rega-se com água tratada, comprada à rede.

Aproveitar a água da chuva é das intervenções mais simples de fazer numa casa com jardim. Este guia mostra como calcular quanto pode recolher, o que compõe uma instalação e os cuidados que evitam problemas de qualidade da água e de segurança.

Em síntese

  • Cada milímetro de chuva sobre um metro quadrado de telhado dá um litro de água. É por aí que se calcula o potencial.
  • Um sistema simples são quatro peças: captação, filtragem, depósito e distribuição.
  • A água recolhida não é potável e a instalação nunca deve ser ligada à rede pública de água.
  • Instale antes das primeiras chuvas. Um depósito montado em fevereiro perde a melhor parte da época.

Quanto consegue recolher

A conta base é direta e não precisa de tabelas:

área de cobertura (m²) × precipitação (mm) = litros

Um telhado de 100 m² sob 10 mm de chuva recebe 1000 litros. Use a área em planta da cobertura, ou seja, a projeção no solo, e não o comprimento inclinado da vertente.

Para estimar um ano inteiro, precisa da precipitação média anual da sua zona, que varia bastante dentro de Portugal. Consulte o valor local nas normais climatológicas do IPMA, em vez de usar uma média nacional que não corresponde a lado nenhum.

Ao resultado desconte perdas. Nem toda a água chega ao depósito: parte molha a cobertura e evapora, parte é desviada na primeira lavagem do telhado e parte perde-se nos filtros e nos transbordos das chuvadas mais fortes. Trabalhe com uma margem em vez de contar com o valor teórico.

Dimensionar o depósito

O maior erro nesta matéria é dimensionar pela chuva. O depósito não se dimensiona para armazenar tudo o que cai, porque isso levaria a volumes absurdos. Dimensiona-se pelo consumo que quer cobrir e pelo período que quer atravessar sem chuva.

Comece por estimar quanto rega por semana no pico do verão e quantas semanas quer aguentar. Um depósito ligeiramente maior do que essa reserva absorve bem os períodos secos e continua a encher em cada chuvada.

Depois disso, o que decide é o espaço disponível, o acesso para a entrega e o local de assentamento, que tem de suportar o peso da água cheia.

O que compõe a instalação

O percurso da água

  1. Cobertura e caleiras, limpas e com rede ou grelha que retenha as folhas.
  2. Desvio da primeira água, que descarta o caudal inicial de cada chuvada, o que lava a poeira e a sujidade acumuladas no telhado.
  3. Filtro, antes da entrada no depósito.
  4. Entrada calma no depósito, junto ao fundo, para não revolver os sedimentos já depositados.
  5. Depósito, à superfície ou enterrado, opaco à luz.
  6. Transbordo, ligado à drenagem, com proteção contra a entrada de animais.
  7. Aspiração, de preferência flutuante, que recolhe a água logo abaixo da superfície, onde é mais limpa.
  8. Bomba e rede de rega, com torneiras identificadas como água não potável.

Nem todas as instalações precisam de todas estas peças. Um depósito ligado a um tubo de queda, com filtro de folhas e torneira na base, já resolve a rega de um jardim pequeno. As restantes fazem sentido à medida que o volume e as exigências aumentam.

À superfície ou enterrado

Depósito à superfície Depósito enterrado
Instalação Assenta em base plana e resistente Exige escavação e assentamento cuidado
Custo Mais baixo Mais elevado, sobretudo pela obra
Espaço Ocupa área de jardim e fica à vista Liberta a superfície
Temperatura e luz Mais exposto ao sol e a variações térmicas Água mais fresca e ao abrigo da luz
Recolha da água Pode sair por gravidade se houver desnível Precisa sempre de bombagem
Manutenção Acesso fácil para limpeza Acesso pela tampa de visita

Qualidade da água e segurança

Água da chuva recolhida de uma cobertura é adequada para regar, lavar pavimentos e outros usos não potáveis. Não é água para beber, cozinhar ou tomar banho, e não deve ser usada em equipamentos ligados à rede doméstica de consumo.

A regra mais importante de todas: a instalação de água da chuva deve ser completamente independente da rede de água potável, sem qualquer ligação entre as duas. Se pretende usar a água em pontos dentro de casa, como autoclismos, confirme os requisitos com a entidade gestora do seu município antes de executar.

Para manter a água em condições, três cuidados chegam quase sempre:

  • Manter o depósito ao abrigo da luz. A luz favorece o desenvolvimento de algas. Depósitos translúcidos ao sol acabam esverdeados.
  • Limpar caleiras e filtros no início da época de chuvas e ao longo do inverno.
  • Vedar as entradas e o transbordo contra insetos e pequenos animais.

Pontos de atenção

  1. Base insuficiente. Um metro cúbico de água pesa cerca de uma tonelada. A superfície de assentamento tem de ser plana e capaz de suportar o depósito cheio.
  2. Transbordo sem destino. O depósito vai encher e transbordar. Se o excedente não estiver ligado à drenagem, encharca o terreno junto às fundações.
  3. Depósito transparente ao sol. Garantia de algas ao fim de poucas semanas.
  4. Qualquer ligação à rede de água potável. Não se faz, em circunstância nenhuma.
  5. Instalar depois de a chuva começar. As primeiras chuvadas de outono são as que enchem o depósito de uma assentada.

O que precisa

  • Depósito na capacidade adequada, à superfície ou enterrado.
  • Filtro e sistema de retenção de folhas entre a caleira e o depósito.
  • Acessórios de ligação ao tubo de queda e ao transbordo.
  • Bomba, de superfície ou submersível, conforme a instalação.
  • Tubo de polietileno e acessórios para a rede de rega.
  • Torneiras identificadas como água não potável.

Encontra estes artigos na coleção de Rega e Jardim. Para volumes de obra e reservatórios de maior capacidade, o setor de Obra Pública tem gama própria.

O que está no site é só uma parte do que temos em armazém.

Diga-nos a área do telhado e o que quer regar, e ajudamos a dimensionar o depósito.

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Em resumo

Aproveitar a água da chuva resolve-se com quatro peças e uma conta simples. Calcule pela área da cobertura, dimensione o depósito pelo consumo que quer cobrir, garanta filtragem e transbordo, e mantenha a instalação separada da rede de água potável.

E monte antes das primeiras chuvas, porque é nessa altura que o depósito enche. Veja a gama de rega e jardim da Momel, com depósitos de água, bombas, filtros, tubo e acessórios de ligação.

Perguntas frequentes

Quanta água consigo recolher do meu telhado?

Multiplique a área da cobertura em metros quadrados pela precipitação em milímetros: cada milímetro sobre um metro quadrado dá um litro. Desconte depois as perdas por evaporação, filtragem e transbordo.

Que capacidade de depósito devo escolher?

Dimensione pelo consumo que quer cobrir e pelo período seco que quer atravessar, e não pela chuva que cai. Depois ajuste ao espaço disponível e ao acesso para entrega.

Posso beber ou usar esta água em casa?

Não é água potável. Destina-se a rega, lavagens e outros usos não potáveis. Para utilizações dentro de casa, como autoclismos, confirme os requisitos com a entidade gestora do município.

Preciso de bomba?

Se o depósito estiver acima do ponto de rega e o caudal por gravidade for suficiente, pode dispensá-la. Em depósito enterrado, ou quando quer pressão para aspersores, é necessária.

A água ganha algas ou cheiro?

Ganha, se apanhar luz e se entrarem folhas e matéria orgânica. Um depósito opaco, filtro à entrada e limpeza das caleiras resolvem a maior parte dos casos.

E no verão, quando o depósito esvazia?

Um sistema de aproveitamento reduz o consumo da rede, não o elimina. Costuma manter-se a ligação à rede como apoio, sempre em instalação separada e sem ligação entre as duas.

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